Os números da violência contra a mulher na Bahia acendem um alerta: mais de 10 mil casos de violência doméstica e 247 feminicídios foram registrados em apenas um ano, segundo dados do Instituto de Saúde do Estado. O cenário, considerado alarmante, reflete tanto o aumento das denúncias quanto a persistência de relações marcadas por controle, abuso e violência.
Em entrevista ao programa Conexão Cidade – Primeira Edição, a promotora de Justiça Sara Gama destacou que o problema é complexo e envolve mudanças culturais profundas. “A violência contra a mulher sempre existiu, mas era tolerada. Hoje, não é mais. Existe uma pressão social para que isso cesse”, afirmou.
De acordo com a promotora, a maioria dos feminicídios ocorre dentro de relações afetivas. “São os chamados feminicídios íntimos, cometidos por parceiros ou ex-parceiros. Há, nesses casos, um sentimento de dominação e posse sobre a mulher”, explicou.
Ciclo da violência
Sara Gama também chamou atenção para o ciclo da violência, especialmente após o fim do relacionamento. “Os seis primeiros meses até dois anos após a separação são períodos críticos. Muitos homens não aceitam o término e acabam reagindo de forma violenta”, pontuou.
Entre os principais sinais de alerta, ela destaca o comportamento controlador. “Quando o homem começa a dizer com quem a mulher pode andar, o que pode vestir ou até impede que ela trabalhe, isso não é cuidado, é controle. E esse é um dos primeiros passos para a violência”, alertou.
Outro aspecto recorrente é a manipulação emocional. “A mulher muitas vezes se sente culpada pela agressão. Isso é típico de relações abusivas, em que há domínio psicológico”, disse.
Conscientização
Apesar do aumento nos números, a promotora ressalta que parte desse crescimento está ligada à maior conscientização e denúncia. “A Lei Maria da Penha trouxe visibilidade. Hoje, as mulheres denunciam mais e os casos são melhor identificados, inclusive com a tipificação do feminicídio”, destacou.
Ainda assim, ela reconhece que há também aumento real da violência. “Muitos homens não sabem lidar com as mudanças sociais, com a autonomia feminina, e reagem de forma agressiva”, afirmou.
Como caminhos para enfrentar o problema, Sara Gama defende ações integradas, com foco na educação e na prevenção. “Não existe uma única solução. É preciso investir em políticas públicas, capacitação e, principalmente, educação. A conscientização tem mostrado resultados concretos”, disse.
Por fim, ela reforçou a importância do respeito nas relações. “Nenhuma pessoa é dona da outra. Relações precisam ser baseadas em respeito. Quando isso não existe, a violência pode se instalar e evoluir para consequências irreversíveis”, concluiu.
Por Lidiane Souza, da Redação Nova Cidade FM






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