Com a aproximação dos festejos juninos, o uso de fogos de artifício volta ao centro dos debates, especialmente pelos impactos causados em animais, idosos, crianças e pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O tema foi abordado em entrevista concedida pelo advogado Ramon Camurugy ao programa Conexão Cidade – Primeira Edição.
Durante a conversa, o especialista destacou que os fogos com estampido podem provocar reações severas em diferentes grupos, gerando desde crises de ansiedade até problemas mais graves de saúde. “Os fogos com estampido causam grande sofrimento a animais, idosos e pessoas com hipersensibilidade auditiva, especialmente crianças com autismo. Em muitos casos, podem desencadear crises de ansiedade, pânico e outras complicações”, afirmou.
Segundo Camurugy, embora existam mecanismos legais para responsabilização em situações que envolvam danos aos animais, ainda há dificuldades para a aplicação prática das penalidades. “A legislação prevê punições para maus-tratos aos animais, mas é fundamental comprovar o nexo entre a ação e o dano causado. Por isso, sempre orientamos que as pessoas registrem imagens ou vídeos quando presenciarem situações que possam configurar infração”, explicou.
O advogado ressaltou que o debate precisa considerar também a forte tradição cultural do uso de fogos no Nordeste, especialmente durante o São João e celebrações religiosas. “Não se trata de acabar com a cultura ou com as tradições populares. O que defendemos é uma adaptação gradual, com mais conscientização e o uso de alternativas menos agressivas, que permitam a realização das festas sem causar tanto sofrimento”, disse.
Alternativas
Entre as alternativas apontadas estão os fogos de baixo ruído, espetáculos de drones e a realização de queimas em locais específicos e afastados de áreas residenciais.
Para os tutores de animais, a recomendação é reforçar os cuidados durante o período junino. “Sabemos que a fiscalização é difícil durante as festas. Por isso, é importante manter os animais em ambientes protegidos, com portas e janelas fechadas, reduzindo ao máximo os impactos do barulho”, orientou.
Ao final da entrevista, Ramon Camurugy reforçou a importância do diálogo entre poder público, organizadores de eventos e população para que as manifestações culturais sejam preservadas sem comprometer o bem-estar animal e humano. “O caminho mais eficiente é a conscientização. Precisamos encontrar um equilíbrio entre a tradição e o respeito às pessoas e aos animais que sofrem com os efeitos dos fogos de estampido”, concluiu.
Por Lidiane Souza, da Redação Nova Cidade FM






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