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 Vice-presidente do Coren-BA alerta para sobrecarga e defende mais valorização da enfermagem

O vice-presidente do Conselho Regional de Enfermagem da Bahia (Coren-BA), Júlio Cézar Júnior, conhecido como Cézar Enfermeiro, destacou os principais desafios enfrentados pelos profissionais da enfermagem durante a Semana da Enfermagem, celebrada no mês de maio. Entre os temas abordados estão a valorização da categoria, saúde mental, violência nas unidades de saúde e melhores condições de trabalho.

Em entrevista concedida ao programa Conexão Cidade – Primeira Edição, Cézar afirmou que o tema deste ano busca reforçar a importância da técnica, da ética e da participação política na atuação da enfermagem. “Sem técnica exemplar e ética humanizada, a população corre riscos. E sem participação política, a enfermagem permanece enfraquecida”, afirmou.

Rotina 

O representante do Coren-BA chamou atenção para a rotina de sobrecarga enfrentada por enfermeiros, técnicos e auxiliares, muitos deles obrigados a manter dois ou três vínculos empregatícios para complementar a renda. “Muitos profissionais trabalham em dois ou três empregos para sobreviver. Isso gera desgaste físico, emocional e compromete a qualidade de vida”, destacou.

Entre as principais reivindicações da categoria estão a aprovação da PEC 19, que prevê reajuste anual do piso salarial da enfermagem, além da luta pela jornada semanal de 36 horas.

Cézar também defendeu o retorno da aposentadoria especial para os profissionais da área. “Como imaginar um profissional com 60 ou 65 anos atuando em uma UTI sob pressão constante?”, questionou.

Adoecimento 

Outro ponto levantado foi o adoecimento mental da categoria. Segundo ele, a enfermagem está entre as profissões mais estressantes, registrando altos índices de afastamentos e problemas emocionais.

A violência dentro das unidades de saúde também preocupa o conselho. De acordo com Cézar, profissionais têm sido vítimas frequentes de agressões físicas e verbais em emergências e UPAs lotadas. “Muitas vezes o profissional da enfermagem é o primeiro contato do paciente e acaba recebendo a revolta da população diante da demora e da superlotação”, disse.

Durante a conversa, Cézar destacou ainda ações do Coren-BA, como a digitalização de serviços, cursos de qualificação e programas de benefícios para os profissionais registrados no conselho.

Ao comentar a realidade de Juazeiro, ele afirmou que o município enfrenta problemas semelhantes aos do restante do país, como equipes reduzidas, sobrecarga nas emergências e necessidade de novos concursos públicos. “Os profissionais da enfermagem não são heróis nem máquinas. São seres humanos que precisam de condições dignas para cuidar da população com segurança”, concluiu.

Por Lidiane Souza, da Redação Nova Cidade FM

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