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Psicóloga aponta mudanças na maternidade e diz que mulheres buscam mais estabilidade antes de ter filhos

O adiamento da maternidade e a redução no número de filhos entre as mulheres brasileiras foram temas discutidos no programa Conexão Cidade – Primeira Edição, da Nova Cidade FM. A entrevista contou com a participação da psicóloga clínica e psicanalista Flávia Rocha, que analisou as transformações no comportamento feminino diante das novas exigências sociais, profissionais e emocionais.

O debate aconteceu após a divulgação de dados do IBGE que mostram que as mulheres estão tendo menos filhos e engravidando mais tarde, tanto no Brasil quanto na Bahia.

Segundo Flávia, a sociedade vive uma transformação histórica no papel da mulher. “Durante séculos, a mulher era automaticamente ligada à maternidade. Hoje ela ocupa espaços acadêmicos, profissionais, pensa na carreira, nas questões financeiras e isso mudou profundamente a forma como ela encara a maternidade”, afirmou.

A psicóloga destacou ainda que, atualmente, muitas mulheres passaram a enxergar a maternidade como uma escolha, e não mais como uma obrigação social. “Antigamente existia uma pressão automática: namorar, casar e ter filhos. Hoje a mulher está decidindo se quer ser mãe, em que momento e de que forma isso vai acontecer”, explicou.

Sobrecarga 

Durante a entrevista, Flávia também chamou atenção para a sobrecarga emocional enfrentada pelas mulheres modernas, que precisam conciliar vida profissional, aparência, estabilidade financeira e responsabilidades familiares. “A mulher atual vive uma sobrecarga psíquica. Existe cobrança para ser bem-sucedida, equilibrada, bonita e ainda dar conta de todas as demandas da maternidade”, destacou.

Outro ponto abordado foi a importância da rede de apoio e do planejamento emocional para a chegada de um filho. “Ser mãe é uma responsabilidade emocional para a vida inteira. A maternidade precisa ser uma escolha consciente e não uma imposição social”, pontuou.

Flávia Rocha também ressaltou que nem todas as mulheres desejam exercer a maternidade e que essa decisão deve ser respeitada. “Nem toda mulher deseja ocupar esse lugar de mãe, e isso precisa ser compreendido sem julgamentos”, afirmou.

Por Lidiane Souza, da Redação Nova Cidade FM

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