A rotina dos professores da rede privada tem sido marcada por sobrecarga de trabalho e baixa remuneração, cenário que preocupa a categoria e acende o alerta para impactos na qualidade do ensino.
Durante entrevista concedida ao programa Conexão Cidade – Primeira Edição, o presidente do Sindicato dos Professores da Rede Privada da Bahia, Alysson Mustafá, destacou que grande parte das atividades exercidas pelos docentes não é remunerada. O uso obrigatório de plataformas digitais, preparação de aulas, elaboração e correção de provas e avaliações consomem horas de trabalho que não entram no cálculo da remuneração. “O professor é pago apenas pelo tempo em sala de aula. Todo o restante, ele faz de graça, muitas vezes à noite, nos fins de semana e feriados”, afirmou.
Esse cenário, de acordo com o sindicalista, tem impacto direto na saúde dos profissionais. A falta de tempo para descanso e lazer contribui para o adoecimento da categoria, um problema que vem se tornando cada vez mais frequente.
Piso salarial
Outro ponto destacado foi a diferença entre o piso salarial da rede pública e da rede privada. Enquanto o piso nacional do magistério público gira em torno de R$ 28,50 por hora/aula, na Bahia, professores da educação básica privada recebem cerca de R$ 12 por hora/aula, valor considerado muito abaixo do ideal.
Mustafá também questionou os argumentos apresentados por instituições de ensino para justificar a dificuldade em aumentar salários. Segundo ele, mesmo com reajustes significativos nas mensalidades escolares, que em alguns casos chegam a 15%, os aumentos concedidos aos professores ficam entre 5% e 6%.
Para o sindicato, a valorização dos profissionais da educação é essencial para garantir a qualidade do ensino. “Educação não é mercadoria, é um direito. E isso passa diretamente pela valorização de quem está na sala de aula”, reforçou.
Por Lidiane Souza, da Redação Nova Cidade FM





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