A proposta de redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais voltou ao debate nacional e já levanta questionamentos sobre os impactos na economia e na vida do trabalhador. A análise foi feita pelo economista Cássio Besarrio, em entrevista concedida ao programa Conexão Cidade – Primeira Edição.
Segundo ele, a mudança significa, na prática, uma diminuição da carga horária sem redução de salários. “O trabalhador passaria a trabalhar quatro horas a menos por semana, recebendo o mesmo valor. Na prática, é como se o custo da hora trabalhada aumentasse”, explicou.
O tema ganhou força após um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontar que a redução pode provocar um aumento médio de até 6,2% nos preços de produtos e serviços. Para Besarrio, esse impacto é possível, mas não imediato. “É um cenário realista, mas esse repasse não seria automático. Ele tende a acontecer de forma gradual, dependendo da capacidade de produtividade de cada setor”, afirmou.
O economista destacou que áreas com maior dependência de mão de obra, como comércio e serviços, podem sentir mais os efeitos. “Quanto mais intensivo em trabalho for o setor, maior tende a ser o impacto no custo final e, consequentemente, no preço ao consumidor”, disse.
Produtividade
Por outro lado, a proposta também é defendida como forma de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. A ideia, segundo ele, é que menos horas de trabalho possam resultar em mais produtividade. “Existe um entendimento de que um trabalhador mais satisfeito pode produzir melhor, mas isso não é automático. Depende de qualificação, organização e tecnologia”, ponderou.
Besarrio ressaltou ainda que a adoção da medida exigiria adaptação por parte das empresas. “Uma forma de reduzir impactos seria investir em qualificação da mão de obra, tecnologia e reorganização de processos. Trabalhar melhor, e não necessariamente mais”, destacou.
O avanço da tecnologia também entra nesse cenário. Para o economista, a automação é inevitável e pode ser acelerada por mudanças como essa. “A tecnologia vai chegar de qualquer forma. Em alguns setores, pode haver substituição de mão de obra, principalmente em funções menos qualificadas”, alertou.
Cenário econômico
Outro ponto levantado foi o cenário econômico das famílias brasileiras. Com altos índices de endividamento, a possibilidade de ter mais tempo livre pode abrir espaço para atividades extras. “A redução da jornada pode permitir que o trabalhador busque outras fontes de renda, o que pode ajudar a melhorar a situação financeira”, avaliou.
Apesar dos possíveis benefícios, Besarrio acredita que o momento pode não ser o mais adequado para a mudança. “Se fosse uma decisão minha, eu não faria neste ano. Mudanças mais estruturais exigem um ambiente econômico mais estável”, opinou.
Para ele, a discussão precisa ser aprofundada. “É um tema que envolve ganhos e perdas. O ideal é que seja debatido com transparência, mostrando claramente os impactos para trabalhadores, empresas e consumidores”, concluiu.
Por Lidiane Souza, da Redação Nova Cidade FM






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