Nova Cidade 95.7

Promotora alerta para sinais de abuso sexual na primeira infância durante entrevista à Nova Cidade FM

O combate ao abuso sexual contra crianças na primeira infância exige atenção permanente das famílias, escolas e de toda a rede de proteção. O alerta foi feito pela promotora de Justiça da Infância e Juventude de Juazeiro, Dra. Renata Mamed, durante entrevista ao Conexão Cidade- Primeira Edição, da Nova Cidade FM 95.7.

Dados apresentados durante a entrevista apontam que, nos primeiros seis meses de 2026, foram registradas 2.643 denúncias de abuso sexual contra crianças de até seis anos no Brasil. Cerca de 75% dos casos envolvem crianças entre três e seis anos, com predominância de vítimas do sexo feminino.
Em Juazeiro, um levantamento referente a 2025, disponibilizado em 2026, registrou 131 casos entre atendimentos e ocorrências, considerando diferentes faixas etárias.

Durante a entrevista, Renata Mamed destacou que a identificação do abuso pode ser especialmente difícil na primeira infância, já que muitas crianças ainda não conseguem verbalizar o que aconteceu. “O corpo fala. A criança muitas vezes não consegue verbalizar, mas ela demonstra através do comportamento.”

Segundo a promotora, mudanças repentinas de comportamento, isolamento, introspecção, perda de apetite, além de sinais físicos, podem servir de alerta para familiares e educadores. Ela também reforçou a importância da educação preventiva, ensinando a criança, de maneira adequada à idade, sobre limites e proteção do próprio corpo.

Agressor pode estar próximo da criança

Outro ponto abordado no Conexão Cidade foi o perfil de quem pratica esse tipo de violência. Segundo a promotora, o agressor frequentemente faz parte do círculo de convivência da vítima. “Infelizmente, muitas vezes o agressor está dentro de casa”, alertou Renata Mamed, citando situações envolvendo pais, padrastos, familiares ou pessoas próximas à família.

A promotora também chamou atenção para a necessidade de reconhecer a possibilidade de meninos serem vítimas de abuso sexual. O preconceito e o machismo podem contribuir para o silêncio e a subnotificação desses casos.

Família deve evitar pressionar a criança

A dificuldade de produzir provas também foi destacada durante a entrevista. Como muitos abusos acontecem sem deixar marcas físicas e em ambientes privados, a investigação pode depender de outros elementos.

Nesse contexto, os relatórios produzidos por equipes técnicas, com psicólogos e assistentes sociais, podem contribuir para a identificação de sinais de violência durante o atendimento especializado.
Renata Mamed orientou que, diante de uma suspeita, familiares não devem pressionar ou interrogar repetidamente a criança em busca de detalhes.

A recomendação é procurar profissionais especializados, como os serviços do Conselho Tutelar e do CREAS, evitando situações que possam provocar a revitimização.

Rede de proteção

Em Juazeiro, o atendimento às vítimas envolve diferentes instituições, entre elas Conselho Tutelar, CREAS, Ministério Público e Delegacia da Mulher.

A promotora explicou que o Ministério Público atua em diferentes frentes: enquanto a Promotoria Criminal trabalha na responsabilização do autor do crime, a Promotoria da Infância e Juventude acompanha as medidas de proteção, incluindo aspectos relacionados à criança e à família.

Por Lidiane Souza | Redação Nova Cidade FM

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