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“Municípios não suportam mais a conta”, diz Wilson Cardoso ao defender mudanças no INSS e controle de cachês do São João 

A Marcha dos Prefeitos, realizada em Brasília, reuniu milhares de gestores municipais de todo o país para discutir pautas ligadas ao fortalecimento dos municípios. Em entrevista concedida ao programa Conexão Cidade – Primeira Edição, o presidente da União dos Municípios da Bahia e prefeito de Andaraí, Wilson Cardoso, destacou os principais resultados da mobilização e os desafios enfrentados pelas prefeituras baianas.

Segundo Wilson Cardoso, a Bahia levou a maior delegação da história para a marcha, com mais de mil participantes entre prefeitos, vereadores e secretários municipais. “Foi uma mobilização histórica. A Bahia mostrou força e unidade para defender os interesses dos municípios”, afirmou.

O presidente da UPB destacou ainda as articulações políticas realizadas durante o evento, incluindo reuniões com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e representantes das federações estaduais. “Levamos pautas importantes para garantir desenvolvimento e mais condições para os municípios continuarem funcionando”, disse.

Preocupação 

Entre os temas debatidos, Wilson Cardoso ressaltou a preocupação com o aumento escalonado da alíquota do INSS paga pelas prefeituras. “Muitos municípios pequenos não suportam esse crescimento da alíquota. É uma situação que pode comprometer serviços essenciais”, alertou.

Ele citou como avanço a aprovação da PEC 66, que permite o refinanciamento de débitos previdenciários em até 300 meses. Além disso, defendeu propostas em discussão no Senado que criam uma cobrança variável, semelhante ao Simples Nacional. “Quem arrecada menos precisa pagar menos. É uma questão de sobrevivência dos municípios”, pontuou.

Cachês de artistas

Outro tema abordado foi o aumento dos cachês de artistas para os festejos juninos. Segundo Wilson Cardoso, a UPB estabeleceu um teto de R$ 700 mil para contratações na Bahia após aumentos considerados abusivos. “Tinha artista cobrando valores completamente fora da realidade. Precisamos preservar o São João raiz e garantir equilíbrio nas contas públicas”, afirmou.

O gestor também defendeu a valorização do forró tradicional nordestino. “O São João precisa manter sua identidade cultural. O forró pé de serra não pode perder espaço”, declarou.

Durante a entrevista, Wilson Cardoso destacou ainda a relação entre a UPB e os órgãos de controle, como Ministério Público, TCE e TCM. Segundo ele, a parceria busca orientar os prefeitos e garantir segurança jurídica nas gestões municipais. “A ideia não é apenas punir, mas orientar para que os municípios possam trabalhar com mais tranquilidade”, explicou.

Entre as novas reivindicações apresentadas ao governo federal, o presidente da UPB defendeu mudanças no cálculo do Fundo de Participação dos Municípios. “Hoje o FPM leva em conta principalmente a população, mas municípios grandes territorialmente têm custos muito altos com estradas, saúde e educação nas comunidades distantes”, disse.

Wilson Cardoso também chamou atenção para o aumento da demanda por atendimento a crianças neurodivergentes nas redes municipais de ensino. “Os municípios precisam de apoio federal para ampliar equipes, monitores e atendimento especializado. Essa realidade cresceu muito nos últimos anos”, concluiu.

Por Lidiane Souza, da Redação Nova Cidade FM

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