Juazeiro e Petrolina registraram 1.348 casos de hanseníase, tuberculose e leishmaniose entre 2024 e 2026; especialistas discutirão estratégias para enfrentar doenças determinadas pelas desigualdades sociais.
Mesmo com diagnóstico e tratamento disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS), doenças como hanseníase, tuberculose e leishmaniose visceral continuam representando um desafio para a saúde pública brasileira. Associados às desigualdades sociais, esses agravos afetam principalmente populações em situação de vulnerabilidade e exigem ações permanentes de vigilância, prevenção e assistência.
No Vale do São Francisco, os indicadores reforçam esse cenário. Dados das Secretarias Municipais de Saúde de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE) mostram que, entre 2024 e 2026, os dois municípios registraram 1.348 casos novos de hanseníase, tuberculose e leishmaniose visceral.
Petrolina concentrou o maior número de notificações no período, com 941 casos, sendo 694 novos casos de hanseníase, 241 de tuberculose e seis de leishmaniose visceral. Em Juazeiro, foram registrados 407 casos, dos quais 245 correspondem à hanseníase, 154 à tuberculose e oito à leishmaniose visceral.
Os números evidenciam que essas doenças permanecem presentes na região e estão diretamente relacionadas a fatores como pobreza, condições de moradia, saneamento básico, acesso aos serviços de saúde e outras desigualdades sociais. Esse conjunto de fatores é o que especialistas denominam de doenças determinadas socialmente, conceito que orientará os debates da Semana de Ciência e Tecnologia para o Enfrentamento das Doenças Determinadas Socialmente, que reunirá o I Simpósio Brasileiro de Doenças Determinadas Socialmente e o III Simpósio de Doenças Infecciosas e Negligenciadas, entre os dias 6 e 8 de agosto, na Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). O evento é promovido pelo Observatório de Análise Situacional de Saúde (OASIS), Grupo de Pesquisa em Doenças Infecciosas e Negligenciadas (GPDIN), Liga Acadêmica de Infectologia e Univasf, com apoio da CAPES, FACEPE, PROFSAÚDE, ABRASCO, Fiocruz, CNPq e Ministério da Saúde.
A conferência de abertura terá como tema “Saúde, território e justiça social: enfrentando as doenças determinadas socialmente no Brasil” e será ministrada pelo pesquisador Christovam Barcellos, do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Ao longo dos três dias de programação, pesquisadores, gestores, profissionais de saúde e estudantes participarão de conferências e mesas-redondas sobre vigilância epidemiológica, arboviroses, HTLV, mudanças climáticas, inovação em saúde, grandes bases de dados e estratégias para fortalecer a resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) diante das doenças determinadas socialmente.
Para o presidente do simpósio, professor Dr. Carlos Dornels, o encontro representa uma oportunidade de aproximar a produção científica das necessidades dos serviços de saúde e fortalecer a articulação entre universidades, gestores e profissionais do SUS. “As doenças determinadas socialmente exigem um olhar que vá além do diagnóstico e do tratamento. É preciso compreender como fatores sociais, econômicos, ambientais e territoriais influenciam o adoecimento das populações. Reunir pesquisadores, gestores, profissionais e estudantes em um mesmo espaço permite transformar o conhecimento científico em estratégias que fortaleçam o SUS e contribuam para reduzir as desigualdades em saúde. Realizar esse debate em uma região onde hanseníase, tuberculose e leishmaniose ainda fazem parte da realidade dos serviços de saúde torna o evento ainda mais relevante”, afirma Carlos Dornels.
Além da apresentação de pesquisas científicas, o simpósio pretende estimular a integração entre ensino, pesquisa e serviços de saúde, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias voltadas ao enfrentamento de doenças que continuam afetando milhares de brasileiros.
A expectativa dos organizadores é que os debates produzam evidências capazes de subsidiar políticas públicas e fortalecer as ações de vigilância, prevenção e assistência nos territórios mais vulneráveis.
Assessoria






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