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Ambientalista destaca abandono da Ilha do Fogo e defende gestão integrada para recuperação do espaço

A situação da Ilha do Fogo, localizada entre Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), voltou ao centro do debate público durante entrevista concedida pela ambientalista Manuella Tyler ao programa Conexão Cidade – Primeira Edição, da Nova Cidade FM.
Atuando há anos na defesa do espaço, Manuella apontou que o cenário atual é resultado da ausência de políticas públicas e da falta de definição clara sobre a responsabilidade administrativa da área. “Na ausência do Estado e de políticas públicas efetivas, começa a se formar o cenário que a gente vê hoje, com degradação ambiental e ocupações desordenadas”, afirmou.
Segundo ela, a Ilha do Fogo é um território da União, o que contribui para entraves na gestão. “A ilha é da União, mas existia uma jurisprudência ligada ao Estado de Pernambuco. Isso cria um impasse e dificulta a atuação direta do município”, explicou.

Responsabilidade
A ambientalista destacou que tem buscado diálogo com diferentes esferas de governo para tentar destravar a situação. “Fui buscar entender essa relação entre União, Estado e município para encontrar caminhos viáveis. Hoje, estamos construindo um movimento para que a gestão passe a ter maior responsabilidade local”, disse.
Manuella também chamou atenção para o conceito de racismo ambiental ao analisar o contexto da ilha. “As pessoas costumam culpar quem ocupa o espaço, mas não enxergam que esse cenário é consequência da falta de políticas públicas. Isso é racismo ambiental, é algo concreto”, pontuou.
Potencial
Ela reforçou que a área tem grande importância histórica, cultural e ambiental para a região. “A Ilha do Fogo é um dos maiores cartões-postais do Vale do São Francisco e tem um potencial enorme para o desenvolvimento econômico, cultural e turístico”, destacou.
Outro ponto abordado foi a necessidade de reconhecimento do território como parte da identidade de Juazeiro. “Estamos trabalhando para garantir o reconhecimento cultural e patrimonial da ilha, porque ela está profundamente ligada à história da cidade”, afirmou.
A ambientalista também ressaltou o uso do espaço por diferentes comunidades ao longo dos anos. “Ali é um território de convivência, utilizado por pescadores, populações tradicionais e pela população em geral. É um espaço de lazer, mas também de subsistência”, disse.
Para Manuella, a solução passa por planejamento e integração entre os entes públicos. “Não existe solução sem investimento e sem gestão compartilhada. É preciso entender o potencial da ilha e transformar isso em política pública estruturada”, concluiu.
A Ilha do Fogo é considerada um dos principais pontos turísticos da região, mas enfrenta desafios históricos relacionados à preservação ambiental, uso irregular e falta de infraestrutura.

Por Lidiane Souza, da Redação Nova Cidade FM

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