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Setembro Surdo destaca inclusão e importância da Libras nas escolas de Juazeiro

Durante o Setembro Surdo, período dedicado à visibilidade e à valorização da comunidade surda, a Escola Professora Iracema Pereira da Paixão, em Juazeiro, vem desenvolvendo ações voltadas à inclusão e ao aprendizado da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Entre as iniciativas está o coral “Mãos que Encantam”, formado por alunos surdos e ouvintes.

Em entrevista à Nova Cidade FM, a professora e tradutora/intérprete de Libras Jéssica Reis explicou que setembro reúne diferentes datas importantes para a comunidade surda, como o Dia Nacional e o Dia Internacional da Pessoa Surda, além do Dia do Tradutor e Intérprete. Segundo ela, o período também amplia o debate sobre acessibilidade. “Setembro é um mês de visibilidade para a comunidade surda. É um momento para a gente falar sobre a cultura, a identidade e, principalmente, sobre acessibilidade”, destacou.

Jéssica também chamou atenção para um dos principais mitos relacionados à Libras: a ideia de que existe uma única língua de sinais utilizada em todo o mundo. Ela explicou que cada país possui sua própria língua, como a Libras no Brasil, a ASL nos Estados Unidos e a LSF na França.

A profissional ressaltou ainda que a Libras possui estrutura e gramática próprias, além de variações regionais. Por isso, não deve ser entendida apenas como um conjunto de gestos.

Na Escola Professora Iracema Pereira da Paixão, o contato entre estudantes surdos e ouvintes têm contribuído para ampliar a comunicação dentro e fora da sala de aula. Os alunos ouvintes aprendem sinais para conversar e brincar com os colegas. O coral “Mãos que Encantam” é um dos exemplos dessa integração e já realizou apresentação no IFBA.

Para Jéssica, a participação da família também é fundamental. Ela explica que muitos estudantes surdos são os únicos integrantes surdos de suas famílias e, por isso, o aprendizado da Libras pelos pais e demais familiares pode facilitar a comunicação e fortalecer os vínculos. “É importante que a família também aprenda Libras, porque muitas vezes aquela criança é a única pessoa surda dentro de casa”, afirmou.

A trajetória de Jéssica com a língua de sinais começou há cerca de dez anos, ainda durante a graduação em Química. Depois, ela cursou Letras Libras pela Univasf e fez pós-graduação em tradução e interpretação. Há aproximadamente quatro anos, atua profissionalmente como tradutora e intérprete em palestras, eventos, shows e outras atividades.

Ela também reforçou que acessibilidade não se resume às adaptações físicas. Para a comunidade surda, uma barreira comum está justamente na comunicação, principalmente em serviços essenciais. “Quando a gente fala em acessibilidade, muitas pessoas pensam somente em uma rampa. Mas acessibilidade também é comunicação”, explicou.

Outro ponto destacado na entrevista foi a importância do contato precoce das crianças surdas com a língua de sinais. Para Jéssica, quanto mais cedo houver exposição à Libras, maiores são as possibilidades de desenvolvimento da comunicação.

A intérprete também lembrou que o termo adequado é “pessoa surda”, e não “surdo-mudo”. Ela explicou que a surdez não significa ausência do aparelho fonador e que o uso de aparelhos auditivos ou implantes cocleares não faz com que todas as pessoas surdas compreendam a fala da mesma maneira que uma pessoa ouvinte.

Além da atuação profissional, Jéssica utiliza as redes sociais para compartilhar conteúdos sobre Libras e acessibilidade. O trabalho pode ser acompanhado pelos perfis @desvendandolibras e @jessicaraiolla.

Por Lidiane Souza, Redação Nova Cidade FM

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