A partir deste mês, a gasolina comercializada no Brasil passa a conter 32% de etanol anidro, dois pontos percentuais a mais do que a mistura anterior. A mudança, determinada pelo Governo Federal, tem como objetivo reduzir a dependência da importação de combustíveis e ampliar o uso do etanol produzido no país.
Em entrevista ao Conexão Cidade – Primeira Edição, da Nova Cidade FM, o engenheiro mecânico e professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), José de Castro, explicou os principais impactos da nova composição para os motoristas.
Segundo o especialista, o aumento representa aproximadamente um litro a mais de etanol em um tanque de 45 litros. Como o álcool possui menor poder energético que a gasolina, a tendência é que o veículo apresente um pequeno aumento no consumo de combustível. “Para produzir a mesma quantidade de energia, o motor precisa queimar um volume maior de etanol. Por isso, o motorista pode perceber uma leve redução na autonomia”, explicou.
Veículos flex não devem apresentar problemas
José de Castro destaca que os carros flex, desenvolvidos para funcionar com gasolina e etanol, não devem sofrer danos mecânicos com a nova mistura. Além do discreto aumento no consumo, alguns modelos podem até apresentar um pequeno ganho de desempenho, já que o etanol favorece a potência do motor.
A preocupação maior é com veículos mais antigos, principalmente modelos com mais de 20 anos, carburados ou equipados com sistemas de injeção mais simples. Nesses casos, componentes de borracha, mangueiras, vedações e partes do sistema de combustível podem sofrer desgaste mais acelerado devido às características do etanol.
A recomendação é manter a manutenção preventiva em dia e buscar orientação de um mecânico especializado.
Benefícios ambientais e economia
O professor também ressaltou que o aumento da participação do etanol traz ganhos ambientais. O biocombustível reduz significativamente a emissão de gases de efeito estufa em comparação à gasolina, além de aproveitar a forte produção nacional de cana-de-açúcar.
Na avaliação do especialista, embora algumas montadoras tenham defendido mais testes antes da mudança, o aumento de apenas dois pontos percentuais não deve provocar impactos diferentes dos já observados com a mistura anterior de 30%.
Dicas para os motoristas
Para quem possui veículos antigos, José de Castro recomenda atenção redobrada à manutenção e, quando indicado pelo fabricante, o uso de gasolina premium, que possui menor percentual de etanol e maior octanagem. Ele também orienta que os consumidores utilizem combustíveis de postos confiáveis e mantenham as revisões periódicas em dia.
Por Lidiane Souza | Redação Nova Cidade FM






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