O chamado Golpe do Amor tem feito vítimas em todo o país ao utilizar relacionamentos afetivos como forma de obter vantagem financeira. O criminoso conquista a confiança da vítima, cria um vínculo emocional e, em seguida, passa a pedir dinheiro, empréstimos ou transferências bancárias. O tema foi abordado pelo advogado Ramon Camurugy, durante entrevista ao programa Conexão Cidade – Primeira Edição, da Nova Cidade FM.
Segundo Ramon Camurugy, esse tipo de fraude pode ser enquadrado como estelionato, crime previsto no artigo 171 do Código Penal. “O golpista utiliza a confiança e o envolvimento emocional da vítima para induzi-la ao erro e obter vantagem financeira. Dependendo do caso, outros crimes também podem ser apurados”, explica.
O especialista destaca que, quando a vítima faz um empréstimo em seu próprio nome para ajudar o suposto companheiro, ela continua responsável pela dívida junto ao banco. “A instituição financeira não é obrigada a devolver os valores de forma imediata, mas pode ser responsabilizada judicialmente se ficar comprovada alguma negligência, como a ausência de alerta para movimentações atípicas”, afirma.
Orientação
Ao perceber que foi vítima do golpe, a orientação é reunir todas as provas possíveis. Conversas, comprovantes de Pix e transferências devem ser preservados, além do registro de um boletim de ocorrência e da comunicação imediata ao banco. “Também recomendamos procurar um advogado e, se possível, fazer uma ata notarial dos prints das conversas em cartório, o que fortalece a validade das provas”, orienta.
Ramon Camurugy alerta ainda para casos de união estável utilizada de forma fraudulenta para obter vantagens patrimoniais. Segundo ele, se houver comprovação de que o relacionamento foi criado apenas para aplicar o golpe, a conduta também poderá ser investigada como estelionato.
Como forma de prevenção, o advogado recomenda cautela antes de realizar qualquer transferência de dinheiro. “É importante verificar o histórico da pessoa, confirmar as informações que ela apresenta e desconfiar de pedidos urgentes de dinheiro. A emoção pode passar, mas o prejuízo financeiro pode durar por muitos anos”, conclui.
Por Lidiane Souza | Redação Nova Cidade FM






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