As mudanças na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) já estão em vigor e exigem que as empresas passem a incluir os riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). O tema foi detalhado pela engenheira de produção e consultora da ACIAJ, Mariana Oliveira, em entrevista ao programa Conexão Cidade – Primeira Edição, da Nova Cidade FM.
Segundo Mariana, a principal alteração é a ampliação do olhar sobre a saúde do trabalhador. “A empresa já observava riscos biológicos, químicos, físicos e de acidentes. Agora, também precisa avaliar como a organização do trabalho impacta a saúde mental dos colaboradores”, explicou.
Entre os fatores considerados riscos psicossociais estão a sobrecarga de trabalho, jornadas excessivas, acúmulo de funções, cobranças abusivas, metas excessivas e mudanças repentinas de escala. “São situações que podem gerar estresse, ansiedade e esgotamento mental. O objetivo da norma é identificar esses fatores antes que eles resultem em adoecimento”, destacou.
A consultora ressaltou que a legislação trata exclusivamente dos riscos gerados dentro do ambiente de trabalho. “A norma não responsabiliza a empresa pelos problemas pessoais do empregado. O foco é identificar e tratar aquilo que é produzido pela dinâmica e pela organização do trabalho”, afirmou.
Diagnóstico
Mariana explicou que a adequação começa com um diagnóstico para identificar os riscos existentes na empresa. “O primeiro passo é entender a realidade da organização. Depois disso, é possível construir um plano de ação e definir quais medidas serão necessárias para reduzir ou eliminar os riscos identificados”, disse.
Ela também esclareceu que a legislação não exige, obrigatoriamente, a contratação de um psicólogo fixo. “Ter um psicólogo não é uma exigência da norma. Essa necessidade só poderá ser identificada após a análise dos riscos e das demandas específicas de cada empresa”, pontuou.
Outro aspecto destacado foi o papel das lideranças na construção de um ambiente de trabalho saudável. “Muitas vezes os problemas surgem por falhas na comunicação, excesso de competitividade ou uma gestão inadequada. Desenvolver líderes mais conscientes é uma das formas mais eficazes de prevenir o adoecimento mental”, observou.
Para Mariana, a adequação à NR-1 deve ser vista como um investimento e não apenas como uma obrigação legal. “Quando a empresa cuida da saúde mental dos colaboradores, ela reduz afastamentos, melhora a produtividade, fortalece o engajamento da equipe e cria um ambiente mais saudável para todos”, concluiu.
Lidiane Souza, da Redação Nova Cidade FM






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